Paróquia  História
 
 

Parte I

Memórias Paroquiais de 1758

Castelões de Cepeda

 

O abade Manuel Silvestre Ferreira, a paroquiar Castelões de Cepeda em 1758, teve o cuidado de transcrever a ordem recebida do bispo Dom António de Tavora, o que permite informar o modo como os inquéritos foram então distribuídos, tendo em conta as limitações da época.

Porque, assim, ficou a fazer parte do conjunto, entendemos útil reproduzir a sua totalidade.

Aceitação da ordem seguinte do Excelentissimo e Reverendissimo Senhor Dom Fr. António de Tavora Bispo deste Bispado do Porto recebida em 3 de Março de 1758 a cujo theor he o seguinte:

 

Dom Frey Antonio de Tavora por m.ce de Deos e da Santa Sé Apostólica Bispo deste Bispado do Porto.

Fazemos saber que sua Magestade fidelissima por carta da Secretaria de Estado dos Negocios do Reino foi servido inviarnos os interrogatorios declarados nos papeis incluzos para se destribuirem pellos Reverendos Parochos do nosso Bispado e responderom aos sobreditos interrogatorios com toda a distinção, e clareza, e com a mesma formalidade com que vão descritos, e no precizo termo de dous mezes; e para que se execute com brevidade mandamos dividir esta Comarca de Penafiel em duas partes; começando esta pella Igreja de São Christovão de Rio Tinto, e irá correndo conforme a ordem da vizita, e nome que vai escripto em cada papel the chegar á Igreia de São Thome de Canas, ficando cada hum dos Reverendos Parochos com seo papel dos ditos interrogatorios e tambem copiando a formalidade desta nossa ordem para em tudo se governarem com boma direção; e nas costas della cada hum se assignárem em forma de recibo e sem mais adição de tres horas a remeterão ao que se lhe seguir pella sobredita forma da vizita; e assim mandámos se observe dando cada hum dos Reverendos Parochos a sua informação com formalidade e distinção a cada hum dos interrogatorios conforme vão numerados, com letra legivel, e sem breves, de sorte que podera ser escripta por quem bona letra faça e assignada pello Reverendo Parocho; e remeterão ao Escrivão da nossa Camera Eclesiastica no precizo tempo de dous mezes cobrando delle recibo para sua descarga; e o que faltar se lhe dara em culpa grave, e será castigado ao nosso arbítrio. E o Reverendo Parocho de São Thome de Canas ultimo desta repartição logo que lhe chegar a seo poder a remeterá com os recibos a poder do mesmo escrivão.

= Dado no Porto sob o sinal somente do Reverendo Padre Mestre Provizor deste nosso Bispado aos vinte e dous de Fevereiro de mil sete centos sincoenta e oito annos, e Eu o Padre Francisco da Costa Escrivão da Camera Eclesiastica que o sobrescrevi.

O Ab.e Fr. Aurelio de S.to Thomas

Ordem que irá correndo com os papeis incluzos conforme ordem da vizita começam na Igreja de Rio Tinto the a de São Thome de Canas. = e não se continha mais na dita ordem que fielmente aqui copiei.

Satisfazendo aos Interrogatórios, a que o Excellentissimo e Reverendissimo Senhor Dom Frei Antonio de Tavora Bispo deste Bispado do Porto me manda responder.

Quanto à Terra.

1 Digo primeiro que esta freguezia do Salvador de Castelãos da Cepeda fica na provincia de entre Douro e Minho, entre a cidade do Porto, e a villa de Arrifana de Souza, no concelho de Aguiar de Souza, Comarca de Penafiel, Termo, e Bispado do Porto, na ribeira do Rio Souza, que a vai dividindo da da (sic) dita villa a que deu o nome.

2 São as suas terras da Coroa.

3 Tem fogos cento e trinta e seis, pessoas majores quinhentas e trinta, menores quarenta e seis.

4 Está situada em campina, e della se descobre a dita villa de Arrifana de Souza que dista pouco mais de meia legoa, e dois Conventos de Monges Benedictinos, Bustello, e Paço de Souza, em igual distancia.

5 Não tem Termo proprio, he o da cidade do Porto.

6 Está a Igreja Parochial no meyo da freguezia, tem dezoito aldeyas e só a das Paredes he mayor, a saber, a villa, Paço, Oural, Marecos, Estrada da Cepeda, Carreyro, Lama, Paredes, Valbom, Rua Seca, Abbadim, Fonte Sagrada, Souza, Pias, Póvoa, Moinho, Souto, Igreja.

7 He o seu Padroeiro Christo Jesus com o mesmo admirável nome de Salvador de Castelaons: tem tres Altares, o Mayor do Padroeiro, e dois dos lados, da Senhora do Rosario, hum com confraria do mesmo, e outro de Santa Anna, com confraria da mesma, e Almas, e a do Socino da freguezia.

8 Tem Abbade colado pello Pontifece e quatro mezes de alternativa o Convento de Paço de Souza; e renderá quatro centos mil reis.

9=10=11=12 Não há nella Beneficiados, Conventos, Hospital, nem Mizericórdia.

13 Tem duas Cappellas publicas, de Jesus Maria José, he huma, e outra da Senhora da Guia, que admenistra o proprio Parocho; a primeira no monte de São Miguel, e a segunda junto a Fonte Sagrada na Estrada que vem da Cidade do Porto, ambas nos confins da freguezia mediando a Igreja, e outra mais da Senhora do Remédio, de caza particular, que fica no lugar das Pias.

14 Não tem Romarias notaveis, somente alguma devoção a Senhora da Guia.

15 Os fruitos da terra, que os lavradores e moradores recolhem em mayor abundancia são milho grosso a que vulgarmente chamão milhão.

16 Não tem juiz ordinário, nem Camera; está sogeita às justissas de Cidade do Porto.

17 He cabessa do Concelho de Aguiar de Souza, e tem Caza de Audiencia com Cadeyas por bayxo, e Pelouro ao pé no lugar das Paredes, e estrada publica que vem da cidade do Porto; tem Ouvidor, que he Juiz da vintena, e julga athe hum cruzado, e he feito digo e he Juis das Execussoens das Sentenças de mayor alçada, e das Sisas deste Concelho, e do de Louzada; he feito a votos do povo na última oitava de Natal nas cazas da Audiencia deste Concelho, a que o mesmo que actualmente serve, prezide com hum dos Escrivães do Concelho, que serve nesse anno da Camera, e se elegem tres dos que tem mais votos, com hum Procurador e Meyrinho, e depois de limpa a pauta, fechada no mesmo dia, a leva à Camera da Cidade do Porto, aonde no dia de Janeiro seguinte sahe o que ha-de servir de Ouvidor, Procurador e Meyrinho, nesse anno e ali tomão o juramento, e servem so hum anno; Tem quatro escrivaens, tres do Publico Judicial e Notas; e hum das Sizas, e dos tres serve hum cada anno de Escrivão chamado da Camera; tem mais hum Inqueridor e Contador; hum Juiz dos horphaons pedaneo feito pella dita Camera trianal, que serve neste dito Concelho, e de Penafiel com dous Escrivâes e dous Porteiros, cada hum do seu concelho, com seos repartidores, fas o dito Juiz audiencia publica todos os Sabados nesta Caza, e o Ouvidor às quartas feiras de cada semana, he o seu destrito de Sobrosa athe o Covello e Medas, e comprehende quarenta e oito freguezias; chamasse concelho de Aguiar de Souza por ter tido antigamente, Caza e Cabessa de Concelho na freguezia de São Romão de Aguiar de Souza, de que tomou o nome; e por ficar no fundo do concelho se mudou para esta freguezia que o medea.

18 Nao tenho noticia dos homens desta freguezia ou os heroes que aponta o Interrogatorio.

19 Ha nesta huma feira todos os mezes no primeiro dia desempedido de cada mes, e dura hum so dia, excepto a do mes de Mayo, que dura dous, e he nos dias que cahe, e he captiva, e fásse no lugar das Paredes, junto às Cazas do dito Concelho.

20 Não ha nella Correyo; Servesse do da villa de Arrifana de Souza que dista pouco mais de meya legoa; chega ao Domingo, e parte a Sesta feira.

21 Dista da Cidade do Porto Capital do Bispado, pouco mais de sinco legoas, e da de Lisboa sesenta.

22 Não sei tenha esta terra privilégios nem antiguidades memoráveis, só que por ella, passa huma estrada publica, que vem da cidade do Porto, para a dita Villa de Arrifana, Amarante, Villa Real de Trás dos Montes.

23 Há nesta freguezia, entre outas, huma fonte, a que chamão Fonte Sagrada, pella haver Sagrado hum Bispo, que por alli passou e mandou sercar de pedra de cantaria, por achar bomas suas agoas; de que fas menção o livro intitulado Aquilegio; e suposto o seu Autor diser que adita está no lugar, ou freguezia de Mouriz, achasse esta dentro dos limites desta freguezia de Castelaons da Cepeda no lugar, que della tomou o nome e chamado Fonte Sagrada; cujas agoas, dizem, são obstrecontes, e brotão da terra em grande quantidade, fica na estrada, que vem da Cidade do Porto junto à Cappella da Senhora da Guia.

24=25 Não tem porto de mar; muros, nem Castellos.

26 No terremoto de mil sete centos sincoenta e sinco annos so se arruinou parte da parede de hum dos lados da Cappella Mor desta Igreja, que se acha já reparada.

27 He o que me consta que ha digno de memoria nesta terra, e freguezia, em que tambem não ha serra.

 

Parte II

Sítio de Paredes

no lugar da Igreja

Ao falarmos em Castelões de Cepeda, temos necessariamente de referir o concelho de Aguiar de Sousa, de que fazia parte. Este concelho remonta aos inícios da monarquia e abrangia, com as suas 48 freguesias, uma área vastíssima.

Apesar de assim se denominar, afirmavam os historiadores e cronistas que a cabeça desse antigo concelho era Castelãos, ou Paredes, um dos lugares principais da freguesia de Castelões de Cepeda. Esse lugar ficava junto da Igreja, onde se situava a matriz na freguesia.

Quando foi criado o concelho de Paredes, por decreto de 1836, e elevado à categoria de vila em 1844, compreendia 23 freguesias que passaram a ser 24 quando, em 1855, alguns lugares da freguesia de Sobreira deram origem à nova de Recarei.

Paredes foi então o nome por que passou a denominarse o novo concelho, por respeito ao velho lugar desse nome, junto ao da Igreja, da freguesia de Castelões de Cepeda, que sempre fora cabeça e sede do concelho de Aguiar de Sousa.

A igreja era, nesses recuados tempos, o centro onde tudo acontecia, desde o enterramento dos mortos ao sufrágio eleitoral. E se tudo emanava da igreja, a sede do concelho de Aguiar de Sousa não estava, até meados do século XVIII, no sítio de Paredes, mas em Castelões de Cepeda, no lugar da Igreja. Ficava sim em Paredes a “Casa de Audiências”, a “Cadeia” e o “Pelourinho”.

Pelos escritos dos correspondentes de alguns jornais de Penafiel e do Porto, podemos depreender que a velha matriz de Castelões de Cepeda devia situar-se no local actualmente ocupado pela estrada municipal que segue para S. José, entre a actual residência paroquial e as casas que lhe ficam em frente: “ao lado da matriz ficava um solar brasonado, onde o adro vinha bater, espartilhado entre as duas edificações. Na casa da Igreja, que é defronte da residência dos abades de S. Salvador de Castelões de Cepeda, vivia naquele tempo (princípio do século XIX) Luís Coelho da Silva, cavalheiro de boa geração, como testemunha o brasão das suas armas que, enegrecido pelos anos, ainda hoje coroa a fachada do edifício.

O adro da igreja de Castelões tocava nesta casa de Luís Coelho da Silva, como escreve A. Teixeira de Vasconcelos em “Lição ao Mestre”. “Aqui se realizavam as faustosas festas a S. Salvador cujo número de maior impacto estava nas procissões, algumas ao vivo, pelo menos com tantos anjinhos”.

No final do século XIX já o povo “tremoceiro” se havia esquecido de honrar o seu orago, perante uma nova veneração que alastrava por esse Portugal inteiro, a devoção ao “Sagrado Coração de Jesus”, acompanhada, de certa forma, por uma outra idêntica ao “Santíssimo Coração de Maria”. E – continuava o correspondente do jornal: “uma nova imagem, esta do Sagrado Coração de Jesus, adquirida por meio de donativos particulares, vem para a igreja de S. Salvador de Castelões de Cepeda (Vila de Paredes), onde é benzida em 25 de Fevereiro de 1900. Esta imagem incorporou-se mesmo na festividade promovida pelo povo da Madalena.

A antiga Igreja Matriz

Aí, nesse monumento antigo que era a velha matriz de Castelões de Cepeda, realizaram-se as solenes exéquias ao Conselheiro José Guilherme Pacheco e a sua esposa, D. Joana Augusta de Magalhães Pacheco. A primeira, as dela, no dia 13 de Abril de 1883. Principiou esta cerimónia fúnebre às 11 horas da manhã, terminando às 3 da tarde, sendo celebrante o vigário da vara, o abade de Gandra Rev.º Alberto Coelho dos Santos. Assistiram 46 eclesiásticos, como refere “O Comércio do Porto” de 18‑4‑1883. Alguns anos após, as do próprio Conselheiro José Guilherme. O seu falecimento tinha já ocorrido a 7 de Dezembro de 1889, na cidade do Porto, onde vivia.

Ficamos a saber que com a inauguração da nova igreja (de que adiante nos ocuparemos), passaram a existir duas: a “Nova”, desde 1908, e a “Velha”, que não passava já de um templo arruinado. Aqui, nesta, ainda se realiza a festividade em honra do Sagrado Coração de Jesus, conforme notícia de Paredes de 4 de Julho de 1908, que diz:

“Acaba de celebrar-se com toda a solenidade na nossa igreja matriz a festividade anual em honra desta sagrada imagem. Pelas 11 horas da manhã começou a missa solene, a grande instrumental e vozes, pela Banda de Paredes. O velho templo, que está em vetusta ruína, – é pena, é – tem agora o aspecto triste, mas onde todas as belezas resplandecem..

Pena que este templo caísse em tamanha ruína, pena que não fosse restaurado em vez de demolido. Até porque um não ocupa o lugar do outro. Erguiam-se mesmo em sítios diferentes. Só aqui falou, como tantas vezes, “a lei do menor esforço”. E esclarecia-se: “Tem três altares laterais, o maior, o do padroeiro, e dois dos lados, um da Senhora do Rosário e o outro de Santa Ana (das memórias paroquiais de 1758).

No ano de 1895 deram-se os primeiros passos para a edificação da nova igreja paroquial de Castelões de Cepeda. “Por iniciativa do pároco actual da freguesia de Castelões de Cepeda; Rev.º Bernardo Rodrigues Pinto Brandão, auxiliado por um grupo de amigos, acaba de dar-se o primeiro passo para a realização do projecto duma nova igreja que, como é sabido, a Sra. D. Rosalina Guimarães, cunhada do Sr. Joaquim Bernardo Mendes, resolveu erigir, a expensas suas (do Comércio de Penafiel de 25 de Maio de 1895).

Os terrenos onde a mesma se irá implantar tinham já sido adquiridos pelo Conselheiro José Guilherme Pacheco, e os filhos e herdeiros deste, por escritura pública de 16 de Maio de 1895, fazem a devida cedência. Já foi feita a esta ilustre Senhora, D. Rosalina Guimarães, a entrega dos terrenos (do mesmo jornal).

A família do Palacete da Granja

Seria oportuno determo-nos um pouco para falarmos sobre esta ilustre família da Casa do Souto ou Palacete da Granja.

“O Progresso de Paredes” de 19‑12‑1964 relata o percurso da nova igreja matriz de Castelões de Cepeda desde a sua concepção até à sua solene inauguração. Nele pode ler-se:

“A Casa do Souto existiu naquele edifício apalaçado

ao centro de grande jardim com dois minaretes,

que se vê no fundo da Avenida da República, da

Vila de Paredes.

Estava a construir-se em 1883, sob a orientação dum paredense da Cepeda, Joaquim Bernardo Mendes que, mercê das suas faculdades de trabalho, honorabilidade, inteligência e distinção, conquistou boa posição comercial na Baía, Brasil, e o coração duma cunhada do proprietário do estabelecimento onde trabalhava.

Este proprietário, comerciante português, falecera e legara a sua esposa, D. Rosalina Guimarães, a sua grande fortuna. Esta adoecera com doença que levou os médicos a aconselhar-lhe ares de Portugal e Joaquim Bernardo Mendes entendeu que os melhores seriam os da nossa terra, como eram e são, e resolveu, com a cunhada fixarem residência definitiva em Paredes.

Foram os três, com uma filhinha do casal e uma criada mulata e duas pretas, habitar o 1.º andar onde funcionou a Assembleia de Paredes (Largo Nun’Álvares), enquanto se concluía a construção do prédio projectado no lugar do Souto (hoje conhecido por Palacete da Granja).

Isto e mais ainda escreveu o Coronel Costa Júnior, afilhado de baptismo da ilustre benfeitora D. Rosalina.

Ao fundo do 1.º andar do dito palacete reservara D. Rosalina uma sala para capela, que primava pela riqueza de estilo e beleza de ornatos. Todos os anos era aberta ao povo para assistir ao Mês de Maria e à festa de Nossa Senhora da Conceição, de que era extremamente devota. Piedosa como era, pensou então em homenagear Nossa Senhora e dignificar a sua freguesia, então vila de Paredes, com uma nova igreja que se comprometia a custear. Assim aconteceu. Os seus olhos caíam sempre naquele espaço mais elevado do outro lado da avenida. Ali ficaria a seu gosto. Parece até que alguém tinha previsto a obra e o local ideal para ela. É o que concluímos da descrição que se segue:

“O projecto de construir uma nova igreja remonta

pelo menos a 1881, ano em que o Conselheiro José

Guilherme Pacheco adquiriu uns terrenos, dizendose

na escritura respectiva que esses terrenos se

destinavam a “melhoramentos indispensáveis que

projecta realizar nesta vila, tanto para a construção

da nova igreja como para a abertura de ruas e outros

fins de utilidade pública..”

Morreu entretanto o Conselheiro e o projecto da igreja não avançou, certamente por falta de verba. Até que a 16 de Maio de 1895 D. Rosalina Maria de Sousa Guimarães comprou por 400.000 reis à filha herdeira do Conselheiro, D. Sofia Clotilde de Magalhães Pacheco e seu marido Manuel Vaz de Miranda (um dos fundadores do Jornal de Notícias, do Porto) o referido terreno que estava destinado à igreja.

Logo o Visconde de Paredes encomendou o projecto a Francisco Leite Dourado, que a 1 de Fevereiro de 1898 lhe entregou os respectivos traços e planta, e que haveria de dirigir a construção da igreja.

Os últimos terrenos necessários foram comprados a 11 de Junho de 1899, tendo-se iniciado as obras pouco depois, demorando vários anos a concluir.

O projecto da nova Igreja

No dia 8 de Dezembro de 1897 (dia da festa de Nossa Senhora da Conceição) D. Rosalina Maria de Sousa Guimarães viveria um dos momentos mais alegres da sua vida – a bênção e lançamento da primeira pedra da nova igreja matriz de Castelões de Cepeda.

Essa solenidade esteve brilhante. Começou por missa a grande instrumental e vozes, na velha igreja de Castelões, achando-se exposto o Santíssimo Sacramento.

À tarde saiu dali o préstito para o local da nova igreja a fim de se proceder à bênção.

Assim noticiou o jornal “Comércio de Penafiel” de 11 de Dezembro de 1897.

Colocada nessa data a primeira pedra, não se iniciou de imediato a erecção do novo templo paroquial de Castelões de Cepeda (a respectiva fábrica teria começo a 25 de Fevereiro de 1899).

Uma obra deste vulto havia necessariamente de durar alguns anos. Mas, indiferente a acções menos claras, praticadas no escuro, como referia o “Comércio de Penafiel”, em 30‑06‑1900, continuava neste ano a edificação da futura igreja. E pormenorizava:

“Vão muito adiantadas as obras da nova igreja.

Das que pertencem a pedreiro faltam as torres e o

frontispício e já começaram as de carpinteiro e os

escultores já trabalham, desde o princípio do ano,

para os altares”.

Durante o longo tempo que as obras decorreram, não se estranhe que alguns atrevidos desacatos tivessem ocorrido.

“O Comércio do Porto”, em 16 de Maio de 1900, notificava o seguinte: “Na noite de 10 para 11 de Maio de 1900, os gatunos arrombaram a barraca onde estavam recolhidas as ferramentas para a construção da igreja desta Vila, roubando diversas”. Era notícia enviada pelo seu correspondente em Paredes.

Por sua vez, “O Comércio de Penafiel”, em 28 de Maio de 1898, noticiava: “D. Rosalina Guimarães ficou triste quando se deu pela falta dos brincos e colar de ouro que tinham sido oferecidos a Nossa Senhora. O gatuno fora um tal Agostinho, do lugar de Cepeda. Desconfiada, a autoridade foi encontrar as jóias escondidas na casa do Agostinho e foram trazidas e colocadas onde estavam antes.

No dia da festa de N.ª S.ª da Conceição, em 1898, D. Rosalina exultou de alegria quando viu recuperadas as jóias da Virgem Santa, que já julgava a algumas léguas de distância”.

Como à data se comentava, “Já naquele tempo havia gatunagem à farta”.

As obras da nova igreja chegariam finalmente ao seu termo e o programa da festa de inauguração seria organizado a preceito. Tinham começado em Fevereiro de 1899 e dadas por concluídas em 1908, recebendo a devida bênção em 6 de Dezembro desse ano.


 

 

 

   
  Actualizado em: 23/09/2009