Dezembro 8, 2017

Mensagem do Mês

 

 

Iniciamos neste mês de Março, em Quarta-feira de Cinzas, a caminhada da Quaresma, desta vez uma viagem inspirada no profeta Jonas, aquele que recusou o convite de Deus, aquele que não acreditou em si mesmo e não acreditou nos habitantes de Nínive. O lema que a Diocese do Porto nos propõe é: “40 dias para chegar a Bom Porto”. De cais em cais, estamos convidados, num caminho de saída e com saída, ao encontro reconciliador e renovador com “Cristo, porto da misericórdia e da paz”.

Nesta caminhada até à Páscoa, Jonas é um ícone profético e Pascal, a que o próprio Jesus Se referiu para falar da Sua morte e ressurreição. De facto, o mistério pascal de Cristo, morto e ressuscitado, encontra na experiência de Jonas, engolido e expelido pelo grande peixe (Jn 2,1-11), uma das suas mais belas figuras. “Assim como Jonas esteve no ventre da terra, três dias e três noites”.

Jonas é um dos símbolos mais importantes da Bíblia, que figura aí como tipo da Ressurreição. Não estranhamos, por isso, que os primeiros cristãos tenham recorrido a este relato para representarem, nas catacumbas romanas e sarcófagos, a sua fé na ressurreição. De notar que, nas catacumbas romanas, há 57 pinturas ou elementos alusivos a Jonas, a cena bíblica mais importante a par das imagens do Bom Pastor (114 vezes) e da ressurreição de Lázaro (53 vezes).

Para ele, como para nós, trata-se de uma conversão integral, que se dirige à vida pessoal, espiritual, pastoral e comunitária e implica até uma conversão ecológica, a que alude implicitamente o texto, quando os próprios animais são submetidos à penitência decretada pelo rei e príncipes de Nínive (Jn 3,7-8). As decisões do homem, para o bem e para o mal, implicam a salvação ou a catástrofe para toda a criação. Como recorda o Papa Francisco na mensagem enviada para a Quaresma deste ano, “o mistério da salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. (…)Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo -, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis. (…)Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo.”

Nesta Quaresma procuremos caminhar levantando o olhar para ver mais longe e encontrar dentro de nós o que havemos de deixar, para que Jesus, como Mestre, nos evangelize através de nós. Caminhemos para chegar aonde nos levar esse olhar, sempre iluminado e movido pelo Espírito Santo.